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Quinta-feira, 11 de Junho de 2026
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PMEs adotam planejamento financeiro para crescer

Levantamentos do Sebrae mostram que a ausência de controles financeiros está entre os principais fatores que levam pequenas empresas ao fechamento. Especialista aponta que acompanhar indicadores como margem de contribuição, ponto de equilíbrio e fluxo de caixa permite ampliar resultados sem depender do aumento do faturamento.

Cleison Silva
Por Cleison Silva
PMEs adotam planejamento financeiro para crescer
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A falta de planejamento financeiro está entre os principais fatores que levam micro e pequenas empresas (PMEs) ao fechamento no Brasil. A pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), mostra que 25% dos pequenos negócios do país enfrentam problemas de inadimplência, e que as empresas nessa situação comprometem ao menos 30% das suas despesas com dívidas em atraso. Com juros elevados e concorrência crescente, organizar as finanças deixou de ser privilégio de grandes empresas e passou a ser condição para qualquer negócio que pretenda se manter e crescer.

Muitas empresas sabem quanto vendem, mas não sabem quanto lucram de verdade. Margem de contribuição, ponto de equilíbrio, necessidade de capital de giro e geração de caixa são informações que, sem acompanhamento regular, deixam o empresário tomando decisões no escuro. O Guia de Planejamento Financeiro para Micro e Pequenas Empresas, publicado pelo Sebrae, reforça que tomar decisões apoiado em informações precisas e atualizadas é condição básica para que uma empresa se destaque em um mercado competitivo. É por isso que os negócios operam durante anos sem saber quais produtos, clientes ou serviços realmente compensam.

Um dos erros mais comuns nas pequenas empresas é formar o preço de venda sem considerar todos os custos da operação: fixos, variáveis, tributários e financeiros. O resultado é que a empresa pode vender mais e lucrar menos. Esse fenômeno, chamado de “crescer para perder”, ocorre com frequência em negócios que ampliam o faturamento sem antes organizar os próprios números: a receita cresce, mas a margem encolhe sem que o empresário perceba.

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Pedro Parreira, mestre em Economia de Empresas e especialista em custos, formação de preços e planejamento financeiro, com mais de cinco décadas de atuação na Parcon Consultoria Empresarial, aponta onde está o nó do problema. “Grande parte das pequenas empresas concentra seus esforços em vender mais, quando muitas vezes o principal problema está na gestão dos custos, na formação inadequada dos preços e na ausência de um planejamento financeiro estruturado. Quando o empresário passa a acompanhar indicadores corretos e planejar suas decisões, consegue aumentar significativamente seus resultados sem necessariamente ampliar seu faturamento”, afirma.

A margem de contribuição corresponde à diferença entre a receita de vendas e os custos variáveis de um produto ou serviço. Esse indicador mostra quanto cada item do portfólio contribui para cobrir as despesas fixas da empresa e, na sequência, para a formação do lucro. O acompanhamento regular desse índice, por produto, cliente ou canal de venda, fornece ao gestor informações para decisões de precificação e composição do mix de produtos.

O ponto de equilíbrio indica o volume mínimo de vendas necessário para que a empresa cubra a totalidade dos seus custos, sem gerar lucro nem prejuízo. Abaixo desse patamar, as receitas não cobrem os custos totais da operação. A partir dele, cada unidade vendida passa a contribuir para o resultado positivo do negócio.

O fluxo de caixa registra todas as entradas e saídas de recursos em um determinado período, permitindo avaliar a liquidez do negócio. Uma empresa pode fechar o mês com lucro contábil e ainda assim não dispor de recursos para honrar compromissos com fornecedores, situação que ocorre quando os prazos de recebimento são superiores aos de pagamento. O acompanhamento regular desse indicador permite identificar esse tipo de descasamento com antecedência e reduzir a necessidade de recorrer a linhas de crédito de curto prazo.

O capital de giro representa os recursos que a empresa precisa para funcionar entre o momento em que gasta e o momento em que recebe. Sem saber quanto precisa de capital de giro, o empresário tende a buscar crédito para cobrir um problema que poderia ter sido planejado com antecedência.

Para Parreira, não existe uma ferramenta única indicada para o planejamento financeiro. Segundo o especialista, planilhas de controle, quando alimentadas com regularidade e analisadas de forma sistemática, já permitem ao gestor tomar decisões com base em informações confiáveis. O que determina a efetividade do planejamento financeiro, na avaliação de Parreira, é a consistência com que os dados são registrados e acompanhados, independentemente da tecnologia utilizada.



Website: https://www.parconconsultoria.com.br/
FONTE/CRÉDITOS: DINO
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